Torpedos: política, imprensa e cotidiano de São Carlos tratados o humor
merecido
Trapalhadas
Para quem andava saudoso das trapalhadas do
eterno candidato a prefeito pelo PSDB, Paulo Altomani, a entrevista dele esta semana à
Intersom, reproduzida parcialmente em um jornal local certamente matou as saudades.
Trombadas
Há algumas semanas o vereador, sócio e
correligionário de Altomani, Antonio Florindo Zanette (PL), disse que as mudanças no
trânsito de São Carlos feitas pelo prefeito Dagnone de Melo (PTB) tinham sido
"roubadas" dos projetos de Altomani.
Trombadas II
Já na entrevista, o tucano desancou o plano de
trânsito afirmando que ele privilegia os motoristas em detrimento dos pedestres.
Autoria
Ué, o plano não era dele? Ou seu
sócio-correligionário está mal informado.
Efeito Pinóquio
Em outras palavras: um dos dois tem de ter
mentido, porque não é possível conciliar as duas versões para o fato.
Efeito Coca
E, como todos sabem, a idéia de trazer o
engenheiro "Coca" Pinto Ferraz (PPS) de Araraquara para São Carlos foi
originalmente de Altomani.
Na frente
Como Altomani não tolera ficar atrás de
ninguém, especialmente quanto a falar besteiras, ele ultrapassou o mais forte concorrente
a "bobagem da semana" - a declaração do vereador Lineu Navarro (PT) que Melo
é igual a Rubinho.
Bobagem da semana
Segundo Altomani, Rubinho é melhor que Melo. Os
funcionários que ficaram meses sem receber salários, os contribuintes que viram seus
impostos dissolverem-se, os moradores da cidade que ficaram abandonados talvez discordem
da opinião do candidato tucano.
Terceiras intenções
Mas os elogios de Altomani - que não foram
feitos apenas a Rubinho, mas também ao vice-prefeito Airton Garcia (PST) - tem uma
explicação lógica. Deixando de lado todos os princípios e idéias de renovação
utilizados como "fantasia" na eleição passada, Altomani tenta a todo custo
agora formar um Balaio.
Quieto
Isto faz lembrar uma velha história do folclore
político envolvendo o polêmico José Maria Alckimin. Muito doente o político mineiro
chega a chamar o padre para lhe dar a extrema-unção. Em determinado momento o padre pede
que ele repita: "Te esconjuro, Satanás". Alckimin protesta: "não era
melhor deixar margem para uma negociação?".
Quer mais?
Deixando margem para negociação com Rubinho e
outros com seus elogios, Altomani parece estar concretizando o slogan cunhado pelos seus
adversários: "Quer mais Rubinho, vote Altomani".
Pressão
Já está ficando ridícula a posição da
Câmara Municipal de Ibaté de em todo mês ameaçar cassar o prefeito Jorge Hermes (PL)
para na hora H não confirmar o afastamento.
Motivos inconfessáveis
Das duas uma, ou não existem provas reais
quando se propõe o afastamento - e neste caso os vereadores são levianos - ou suspeitos
motivos os fazem mudar de idéia a cada tentativa mensal.
Antídoto
Felizmente a política de Ibaté chegou a um
clima tal de bang-bang - tanto que a cidade vem sendo chamada de Ibatexas - que os
cidadãos revoltados esperam para dar o troco nas eleições com uma renovação radical.
Renovação
Ao menos é isto que se houve pelas ruas da
cidade, nas quais a indignação é crescente, visível e audível.
Esperto
Sensível à sua popularidade arrasada o
prefeito de Ibaté já anunciou que nem vai ser candidato à reeleição. Preferiu se
retirar quando está por cima a ser humilhado pelas urnas, demonstrando mais uma vez que
é mais esperto que os vereadores daquela cidade.
Desconfortável
Como estará o vereador Zanette depois de ter
ouvido críticas de Altomani a um plano que, segundo o parlamentar, era de autoria do
tucano, complementadas por elogios justamente ao vice-prefeito, figura que Zanette
escolheu como seu principal adversário.
Futurologia
Há alguns meses quando esta coluna afirmou que
Altomani tentava se aproximar de Rubinho e Airton a tucanada - com o apego tradicional
deles à verdade - negou de forma veemente. Agora eles já tentam encontrar um jeito de
justificar a aliança, com a própria voz.
Piadinha de hoje
"No fundo da selva africana, um
missionário tenta catequizar uma tribo selvagem e consegue muito bons resultados,
principalmente com os mais jovens a quem ele dá aulas de cultura ocidental na sua escola.
Um dia um garoto de doze anos chega mais cedo na escola, seguido de um pirralho de
três anos.
- Bombaka, você sabe muito bem que não é para trazer os irmãozinhos na escola.
Você deveria tê-lo deixado em casa. Leve seu irmãozinho imediatamente para casa!
- Mas não é meu irmão! - responde o garoto - É meu lanche!"
Pensamento do dia
"O último refúgio do oprimido é a
ironia e nenhum tirano, por mais violento que seja, escapa a ela. A mordaça aumenta a
mordacidade" (Millor Fernandes)
São Carlos, Segunda-feira, 03 de Abril de 2000
Alexandre Gomes é articulista do jornal
Primeira Página de São Carlos (SP)